Recentemente eu comentei aqui no blog os resultados do Independent’s Spirit Awards e sobre como, apesar de claramente favorecer filmes com envolvimento de gente mais conhecida, a premiação era uma boa oportunidade de ficar sabendo de filmes bons que poderiam passar desapercebidos.
Como tem muito filme independente bom por aí, resolvi usar o espaço aqui pra divulgar mais alguns dos melhores filmes de 2012 que, por não terem o elenco de “Os Miseráveis” ou serem sobre super-heróis ou terem a Jennifer Lawrence como protagonista, acabaram sendo menos comentados pela mídia e por fãs de cinema.
1) The Cabin in the Woods
Essa informação pode ser chocante para alguns, mas… Vocês sabiam que “Os Vingadores” nao foi o melhor filme de que Joss Whedon participou em 2012?
O diretor do supermegablockbuster (é preciso inventar uma palavra mais enfática pro sucesso de “Os Vingadores”) foi também produtor deste longa de terror que vai mudar a percepção sobre todos os filmes de terror que você já viu na vida.
A princípio, parece ser mais uma história enlatada de “grupo de jovens vai passar um fim de semana de sexo e drogas no meio do nada e é prontamente assassinado”, mas o roteiro subverte a premissa batida e é tão mais do que aparenta.
2) Sleepwalk with me
Este filme, dirigidao escrito e estrelado pelo comediante Mike Birbiglia, não é para todo mundo: o personagem principal é um cara infantil e desagradável, e o universo do longa – o fechado mundo da comédia stand-up americana – não é algo que desperte o interesse de qualquer um, logo de cara.
Mesmo assim, deem uma chance. O filme acompanha a trajetória de um comediante fracassado que precisa descobrir o que fazer da vida, tendo que lidar com surtos de sonambulismo e a pressão da namorada que, depois de anos, obviamente quer levar o relacionamento adiante com casamento e filhos.
É um filme que consegue fazer uma reflexão sobre relacionamentos sem optar por saídas fáceis e nem por aquele senso de humor batido de “homens odeiam compromisso, mulheres sempre querem se casar. Mulheres são loucas, né não?”.
Ao invés disso, as piadas (especialmente nos sonhos sonâmbulos) são boas e a história parece sincera, e algo que – apesar da imaturidade do protagonista – parece que aconteceria com pessoas de verdade.
3) Sem Segurança Nenhuma
Para ser sincera, eu não gostei tanto desta comédia na primeira vez, mas é o tipo de filme excêntrico que te conquista depois de algum tempo.
Só a sinopse ja deve ser o bastante para despertar o interesse de alguns: uma jornalista desiludida e mau-humorada acaba indo cobrir a história de um doido que colocou um anúncio no jornal à procura de um companheiro para viajar no tempo. Sem segurança nenhuma garantida.
O filme começa deixando meio em dúvida se vai ou não entrar no território da ficção científica, com uma viagem no tempo de fato. Mas não se preocupem (se, como eu, vocês também se irritam com filmes que deixam seus aspectos mais fantasiosos sem explicação ou definição); no final, tudo fica claro.
É uma historia docinha e reflexiva sobre oportunidades, arrependimento e a passagem do tempo.
Outra vantagem? Se você gosta de seriados, vai ver algumas caras conhecidas como Aubrey Plaza (Parks & Recreation) e Jake Johnson (New Girl).
4) Sound of my Voice
Falando em filmes que deixam certas respostas no ar, esse é um longa que acaba propositalmente indefinido e continua a ser um filmaço.
“Sound of my Voice” conta a historia de (mais) um jornalista que decide expor um culto, liderado por uma menina que diz ser do futuro (sim, viagens no tempo e jornalistas estavam em alta no cenário independente), mas acaba fascinado por ela.
O importante aqui não é se a menina dizia ou não a verdade, mas observar o poder que ganha uma ideia aparentemente absurda, se um número grande o bastante de pessoas acreditar nisso com intensidade.
5) Indomável Sonhadora
Esse deve ser o filme mais conhecido dessa lista; foi indicado aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz (pela super adoravel Quvanzhané Wallis).
Os protagonistas aqui são um grupo de moradores dos pântanos do sul norte-americano, que se recusam a sair de sua terra, mesmo em plena evacuação pré-Furacão Katrina. No meio disso, temos Hushpuppy, uma menina que neste período turbulento, não sabe, mas está prestes a perder o pai.
O filme usa do realismo fantástico e da visão infantil da protagonista para contar uma história delicada, criando um universo diferente e meio mágico.
Muita gente reclamou que a “magia” do sul de “Indomável Sonhadora” é fruto da imaginação de cineastas nova-iorquinos que nunca pisaram fora de uma metrópole na vida, então a coisa toda parece meio falsa.
Pessoalmente, eu não concordo com nada disso, e acho que o resultado final foi um filme muito sensível e bonitinho, com uma performance infantil memorável.




















